Os bilionários ou estão mais raros ou estão mais muquiranas.
Desde a crise americana de 2008 que foi seguida de problemas nas economias em
todo o mundo, o numero de superiates lançados ao mar caiu bastante. O pico
histórico ainda reflexo da euforia pré-crise, foi em 2008 com 260 superiates, aqueles com mais
de 70 metros lançados ao mar. Esse número cai para 200 barcos em 2010 e "apenas"
173 embarcações de superluxo foram para a água em 2011.
O maior iate produzido até hoje é o Eclipse de 164 metros
(cerca de 396 pés), do bilionário russo Roman Abramovich que pagou um valor
estimado em cerca de US$ 500 milhões pelo barco com mini-submarino, dois helipontos,
cabelereiro e até um sistema de proteção anti paparazzi que detecta lentes de câmeras
e dispara raios laser para literalmente "queimar a foto".
O mercado caiu bastante tanto que o russo manteve seus barcos
(superbarcos) mais antigos. O mercado de usados dos superiates esta
desanimador. Um superiates geralmente é um dos primeiros itens a ser vendido
por um bi ou milionário em decadência, ou que tenha sua fortuna ameaçada. Com a
crise mundial, acaba que o mercado de usados dos superiates recebe uma grande
oferta, derrubando seus preços.
Manter um brinquedinho desses não é barato. Em geral são necessários alguns milhões de dólares
ao ano para manter o barco, que muitas vezes é usado por apenas 2 semanas ou pouco mais que isso pelos
ocupados proprietários. Todos eles precisam de uma grande tripulação (a equipe
do Eclipse conta com 75 pessoas contratadas). A cada saidinha, o consumo de combustível
é quase impensável para o cidadão comum e passa fácil dos 1000 litros/hora
navegada (sim, mil litros!?). Nos anos dourados, muitos comandantes contratados dessas embarcações tinham
por habito consumir altíssimos valores dos proprietários, com reparos,
atualizações e equipamentos dessas super embarcações sem se preocupar com o
dinheiro, tanto que isso ganhou um termo próprio: SPAM - (Spending Paul Allen Money) que significa "Gastando
o dinheiro de Paul Allen" o co-fundador da Microsoft e proprietário de vários barcos,
inclusive o famoso Octopus, hoje o 11º na lista de maiores superiates do mundo.
Para ajudar a pagar essa conta toda, hoje em dia boa parte
dos superiates está sendo oferecido por empresas de charter, que cobram até US$
2 milhões por uma semana de uso da embarcação. Muitos proprietários desses
barcos no Mar Mediterrâneo estão atrás de marinas mais baratas como por exemplo
em Malta, que cobram até 75% menos que
um atracadouro na Franca ou Espanha. Barcos estão sendo abastecidos na Tunisia,
quem tem diesel livre de impostos. Equipes estão sendo reduzidas ao mínimo e
passam a contratar temporários no verão. A brincadeira é pesada.
Enfim, ao que tudo indica, ao menos no mundo náutico o "SPAM"
parece estar perto do fim.